Nos séculos XVII e XVIII, as
viagens aconteciam com o propósito de aperfeiçoamento da educação ou para
negócios políticos ou econômicos, não para um lazer ou satisfação cultural.
O final
do século XIX e o inicio do século XX se caracterizaram pela aceleração nos
deslocamentos populacionais em varias partes do globo, vinculados ao desenvolvimento
dos transportes (ferrovias e marítimas)
acompanhado pelas crises econômicas que tomava conta de varias regiões do
mundo, tornando-se uma atividade acessível a um público cada vez maior.
A
atividade turística foi beneficiada pelo desenvolvimento dos transportes e pelo
progresso tecnológico e organizacional das empresas, que aumentaram a
produtividade e reduziram custos e jornadas de trabalho, proporcionando aumento
do tempo livre.
Com o
tempo livre as pessoas poderiam satisfazer suas vontades e desejo, já que uma
das características do turismo é oferecer coisa certa para determinado público.
Porém com
o grande número de turistas, surgiu também o turismo sexual que destacam as
regiões Norte/Nordeste brasileiras, pois são as regiões com o maior índice de
pobreza em nosso país, tendo como principais clientes os turistas estrangeiros,
que na maioria das vezes usam esse serviço como complemento de sua viagem.
Como a
imagem do Brasil para muitos estrangeiros é de um país muito liberal e de belas
mulheres que vendem seu corpo facilmente, este tipo de turismo esta
desenvolvendo a cada dia, apesar de não ser algo novo em nossa sociedade.
De
tal maneira que nas décadas de 70 e 80 ao observar o aumento do turismo a Embratur - Instituto Brasileiro de Turismo- , iniciou
campanhas de propaganda tentando vender o País, como um destino turístico dos
mais ricos no mundo. A propaganda utilizada pela Embratur nos anos 70 e 80,
enaltecia não só as belezas naturais, mais também a sexualidade da mulher
brasileira, os cartazes de divulgação, folders, filmes publicitários.
Segundo Bignami (2002), em termos
de atratividade turística a imagem do Brasil se qualifica em cinco categorias
que são interligadas entre si:
• O Brasil paraíso no qual
se exalta a grandiosidade das florestas e a existência do “bom selvagem”,
motivando o turista a viajar para um lugar ideal, longe das dificuldades reais
experimentadas na “civilização”, tais como: a moralidade, a legalidade e outros
aspectos da conduta social considerados “civilizados”;
• O lugar do sexo fácil,
um paraíso onde se pode vivenciar o “pecado original”, pois as imagens
divulgadas remetem a mulheres exóticas, sensuais e de fácil acesso;
• O Brasil do brasileiro no
qual se ressaltam características consideradas típicas dos brasileiros, tais
como a musicalidade, a hospitalidade, a alegria e a malandragem;
• O país do carnaval,
festa que permite o esquecimento de todos os problemas sociais e pessoais, uma
fuga para um mundo de permissividade e luxúria, exaltando-se a sensualidade do
povo brasileiro. Nessa categoria, também incluíem-se as manifestações sociais e
culturais veiculadas pelos meios de comunicação para fins essencialmente
turísticos;
• O lugar do exótico e do
místico, no qual o mágico se manifesta e é interpretado pelo olhar do turista
como inexplicável, contrastante, rítmico e sensual.
A
imagem é um elemento importante e fundamental para o turismo devido a sua
influência no processo de escolha entre destinos turísticos e o seu poder de
agregar ou não valor ao destino. O objetivo da imagem é a divulgação de
destinos turísticos e o incentivo de maneira direta ou indireta
Essa
idéia de imagem, entretanto, tem sido mais utilizada pelas teorias mais
recentes para se referir às narrativas visuais, enquanto o termo imaginário tem
sido empregado para retratar o conjunto de idéias sobre algo, ou seja, uma
forma específica de perceber o mundo e alterar a realidade (Montoro, 1997).
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| Cartões postais |
MONTORO, Tânia Siqueira. Da Comunicação
Mobilizadora. In: MONTORO, Tânia Siqueira (Org.) Comunicação, Cultura,
Cidadania e Mobilização Social. Série Mobilização Social. Vol. II. Org.
Tânia Siqueira MONTORO. Brasília/Salvador: UNB, 1997.
BIGNAMI, Rosana. A Imagem do Brasil
no Turismo: construções, desafios e vantagem competitiva. São Paulo: Aleph,
2002.