domingo, 4 de março de 2012

Espaço, poder e exclusão: Contexto econômico-social do patrimônio cultural do lugar Turistificado

Espaço, poder e exclusão: Contexto econômico-social do patrimônio cultural do lugar Turistificado[1]

Karlinne Cordeiro*

Transformar um espaço em um território turístico para que possa ser consumido pelos turistas/visitantes necessita de uma demanda de modificação de infra-estruturas para que possa ser efetivado. Este processo tem efeitos antagônicos no território, de um lado o turismo valoriza-o possibilitando alternativas de renda e de lazer, por outro lado expropria as populações locais, segrega culturas e causas danos ao meio ambiente.
Fazendo com que as contraposições das relações intrínsecas no processo de desterritorialização e as perspectivas de desenvolvimento turístico em uma sociedade tornem-se visíveis, observando relação entre consumo e reprodução do turismo no território em que se desenvolve.
Os espaços apropriados pelo turismo têm tendência de formar territórios turísticos, e estes, nem sempre estão vinculados aos apelos naturais, e sim, à capacidade que esses espaços têm de se transformar em produtos turísticos por suas identidades que convergem de diversos significados ligados à cultura, economia, infra-estrutura e a aspectos regionais, não prevalecendo somente aos atributos naturais da região.
O espaço geográfico não é suporte nem é reflexo da ação da sociedade, mas um produto social. “O espaço reproduz a totalidade social na medida em que essas transformações são determinadas por necessidades sociais, econômicas e políticas.
Os atributos naturais ou culturais de um território são adaptados pelo turismo e acrescentados ao conjunto de serviços de infra-estrutura disponíveis no território em questão, desta maneira é formada a multidimensionalidade de seus objetos culturais, políticos e econômicos, alem de sua historia que poderá ser perdida através de suas modificações.
Levados pelo desejo de sair da rotina, os turistas vão à busca de lugares com atrativos naturais ou simplesmente tranqüilizadores, mas não querem perder o conforto que já possuem, provocando assim a contraposição de seus desejos fazendo com que os empreendedores cada vez mais arrisquem/desenvolvam projetos grandiosos em lugares que não deveriam, mas que normalmente são autorizados sem serem analisados os impactos ambientais e sociais que este irão acarretar, mas sim o poder de produzir capital não apenas para o empreendedor, mas também para o município. 
            De maneira indireta os espaços turistificados provocam a inclusão e exclusão ao mesmo tempo, enquanto seleciona,qualifica e exclui do topo da pirâmide mercadológico do trabalho, aqueles que não se adéquam ou não se encaixam nas entrelinhas que o setor do turismo exige, mas inclui em sua base trabalhadores com salários baixos e contratos flexíveis e informais, destacando é nessa base que encontram o trabalho precário e “pobre”.


[1] Luzia Neide Coriolano
*Graduando de Turismo pela Universidade Federal de Alagoas/ Bela em Direito Faculdade Raimundo Marinho