terça-feira, 1 de outubro de 2013

Turismo e Turismo Sexual


Nos séculos XVII e XVIII, as viagens aconteciam com o propósito de aperfeiçoamento da educação ou para negócios políticos ou econômicos, não para um lazer ou satisfação cultural.
O final do século XIX e o inicio do século XX se caracterizaram pela aceleração nos deslocamentos populacionais em varias partes do globo, vinculados ao desenvolvimento dos transportes (ferrovias e marítimas) acompanhado pelas crises econômicas que tomava conta de varias regiões do mundo, tornando-se uma atividade acessível a um público cada vez maior.
A atividade turística foi beneficiada pelo desenvolvimento dos transportes e pelo progresso tecnológico e organizacional das empresas, que aumentaram a produtividade e reduziram custos e jornadas de trabalho, proporcionando aumento do tempo livre.
Com o tempo livre as pessoas poderiam satisfazer suas vontades e desejo, já que uma das características do turismo é oferecer coisa certa para determinado público.
Porém com o grande número de turistas, surgiu também o turismo sexual que destacam as regiões Norte/Nordeste brasileiras, pois são as regiões com o maior índice de pobreza em nosso país, tendo como principais clientes os turistas estrangeiros, que na maioria das vezes usam esse serviço como complemento de sua viagem.
Como a imagem do Brasil para muitos estrangeiros é de um país muito liberal e de belas mulheres que vendem seu corpo facilmente, este tipo de turismo esta desenvolvendo a cada dia, apesar de não ser algo novo em nossa sociedade.
De tal maneira que nas décadas de 70 e 80 ao observar o aumento do turismo a Embratur - Instituto Brasileiro de Turismo- , iniciou campanhas de propaganda tentando vender o País, como um destino turístico dos mais ricos no mundo. A propaganda utilizada pela Embratur nos anos 70 e 80, enaltecia não só as belezas naturais, mais também a sexualidade da mulher brasileira, os cartazes de divulgação, folders, filmes publicitários.
Segundo Bignami (2002), em termos de atratividade turística a imagem do Brasil se qualifica em cinco categorias que são interligadas entre si:
O Brasil paraíso no qual se exalta a grandiosidade das florestas e a existência do “bom selvagem”, motivando o turista a viajar para um lugar ideal, longe das dificuldades reais experimentadas na “civilização”, tais como: a moralidade, a legalidade e outros aspectos da conduta social considerados “civilizados”;
O lugar do sexo fácil, um paraíso onde se pode vivenciar o “pecado original”, pois as imagens divulgadas remetem a mulheres exóticas, sensuais e de fácil acesso;
O Brasil do brasileiro no qual se ressaltam características consideradas típicas dos brasileiros, tais como a musicalidade, a hospitalidade, a alegria e a malandragem;
O país do carnaval, festa que permite o esquecimento de todos os problemas sociais e pessoais, uma fuga para um mundo de permissividade e luxúria, exaltando-se a sensualidade do povo brasileiro. Nessa categoria, também incluíem-se as manifestações sociais e culturais veiculadas pelos meios de comunicação para fins essencialmente turísticos;
O lugar do exótico e do místico, no qual o mágico se manifesta e é interpretado pelo olhar do turista como inexplicável, contrastante, rítmico e sensual.
A imagem é um elemento importante e fundamental para o turismo devido a sua influência no processo de escolha entre destinos turísticos e o seu poder de agregar ou não valor ao destino. O objetivo da imagem é a divulgação de destinos turísticos e o incentivo de maneira direta ou indireta
Essa idéia de imagem, entretanto, tem sido mais utilizada pelas teorias mais recentes para se referir às narrativas visuais, enquanto o termo imaginário tem sido empregado para retratar o conjunto de idéias sobre algo, ou seja, uma forma específica de perceber o mundo e alterar a realidade (Montoro, 1997).
Cartões postais


MONTORO, Tânia Siqueira. Da Comunicação Mobilizadora. In: MONTORO, Tânia Siqueira (Org.) Comunicação, Cultura, Cidadania e Mobilização Social. Série Mobilização Social. Vol. II. Org. Tânia Siqueira MONTORO. Brasília/Salvador: UNB, 1997.

BIGNAMI, Rosana. A Imagem do Brasil no Turismo: construções, desafios e vantagem competitiva. São Paulo: Aleph, 2002.